Salve guerreiros e guerreiras, para aqueles que não sabem o Sarau Poesia na Brasa acontece no Bar do Carlita aos sábados, mas o Coletivo Cultural Poesia na Brasa vive em constante atividade e ontem 12 de maio foi mais uma, a galera seguiu caminhada até a Vila Maria para visitar a Fundação Casa (antiga FEBEM) a convite do irmão Michel (Elo da Corrente), mais uma das propostas do Coletivo levar a literatura a quem precisa dela para não se frustrar ainda mais pelo esquecimento do sistema. O dia começou bem agitado logo de manhã pegamos uma lotação com os nossos instrumentos e como já é de esperar passamos algumas dificuldades, a lotação estava meio cheia e... O resto não precisa nem falar né?
Bem, chegamos ao nosso destino à Fundação Casa na Vl. Maria na primeira unidade (Abaetê) logo na entrada já sentimos a repressão pela qual os meninos passam a cada porta que se abria a outra de trás fechava e sempre tinha um carcereiro para fazer uma nova revista.
Como também já esperávamos os meninos ficaram um pouco intimidados no começo, porém mais que depressa eles se envolveram no sarau com os textos e que textos muito bons, alguns meninos cantaram algumas letras de rap e logo podemos perceber toda a angústia enrustida, a saudade da mãe e o desejo de liberdade.
Terminado o primeiro sarau fomos almoçar, (ai pensa em uns cabras que come... Pensa! Num da nem pro cheiro os caras comem demais...) Mas voltando à fundação, depois do almoço fizemos o segundo sarau, a gente não queria acabar mais, os meninos pegaram os instrumentos e não queriam mais largar o barato tava da hora. Os manos da Brasa também estavam mandando muito bem na poesia Chellmí (J.E.P.) mandou umas letras que os meninos se identificaram muito, Felipe (Príncipe da Brasa) nem se fala como sempre mandando a nossa realidade em forma de poesia, Samanta, Leko, Diego, Sidnei, Vagner, Divino (Elo da Corrente) e o Michel Educador da Fundação completaram o time. Porém como nem tudo são flores e tivemos que acabar mais um sarau partindo para outra unidade (Paulista), já na entrada de novo varias revistas cada portão uma parada (sistema!!!) mas seguimos em frente com todo pique, na primeira parada os meninos logo de cara pegaram novamente os instrumentos e o batuque foi contagiante, novamente também os textos eram de desnortear qualquer um, rolou até um desafio de fazer poesias de improviso uma atrás da outra, sem comentários! Os meninos mandam muito bem, e por fim fizemos um último sarau na divisão ao lado, esse foi bem mais calmo acho que por causa do cansaço, da nossa parte por estarmos o dia todo em atividade e dos garotos pelo término de mais um dia enclausurado, mais infelizmente o horário bateu e tivemos que acabar por ali, rigorosamente às 19h00 para o jantar da molecada, têm horário para tudo, condicionamento militar, cerca de trinta garotos ficam o dia no pátio onde são proibidos de pisarem na quadra de esportes que ocupa mais da metade do pátio e os funcionários são bastante rigorosos com isso, porém o importante foi que saímos de lá com uma boa sensação, a sensação de que alguma coisa de bom ficou na cabeça daquela molecada e nós podemos contribuir pra isso, não sabemos o que muitos fizeram para estar ali, não sabemos de muitos há quanto tempo estão lá e quanto tempo falta para sair, o que nós sabemos é o que vimos garotos bonitos, inteligentes e cheios de vontade de viver, que estão sendo privados de mostrarem suas idéias ao mundo, trancafiados por sistema falho que confunde exclusão com reabilitação. Indo embora o que sentíamos era corpo cansado e mente a milhão, fervilhando de idéias, queríamos mais, queríamos fazer mais, infelizmente ontem não deu, mas não paramos, prometemos aos meninos voltar e com garotos que só podem confiar em uma palavra não os decepcionaremos e em breve estaremos de volta, terminamos por aqui desejando muita força e garra, esperando que possam existir transformações em suas vidas.